"Espero que você volte feliz."
Acho que atingi um estado mental que eu nem imaginava existir: o nada. Consigo livrar minha mente de tudo, ficar paralisada por horas, "dormir" sem sono. Chego a pensar que não teria reação alguma se caísse uma bomba no meu quarto (na verdade, acho que isso seria um grande favor). E uma das maiores dificuldades está sendo tentar descrever com palavras aqui o que estou sentindo. Realmente chamo de nada, porque eu não conhecia esse estado antes. Talvez entorpecida, mas ainda prefiro o nada. Não sei se a dor vai chegar depois ou se acostumei-me à ela, tanto é que nem tenho falado sobre isso com ninguém. Eu não sei o que falar.
Além de tudo, encontrei um estado de conforto e paralisação chamado cama. Admito que não estou com vontade de sair dela nem pra viajar, e eu devia...
Chega desse post, certo?
Sim, eu também espero que eu volte feliz.
Eu também espero
26 de jul. de 2011 Leave a comment
Lie to me
I ain't too proud of all the struggles
And the hard times we've been through
When this cold world comes between us
Please tell me you'll be brave
If you don't love me - lie to me
'Cause baby you're the one thing I believe
Let it all fall down around us, if that's what's meant to be
Right now if you don't love me baby - lie to me
It's a bitch, a life's a roller coaster ride
The ups and downs will make you scream sometimes
It's hard believing that the thrill is gone
But we got to go around again, so let's hold on
Mistura
Sentar e conversar: dois verbos inicialmente simples, mas que podem resolver ou bagunçar muita coisa. Não é difícil, não dói e a falta destes pode trazer sérias complicações sem volta. É extremamente essencial a conversa em um relacionamento, seja pra tirar dúvidas, seja pra explicar algo, seja pra dizer o que sente e o que passa. Não, ninguém nasceu com o poder de ler mentes - até onde eu sei -, e é por isso que a conversa é tão essencial. Agora, em que ponto quero chegar?
(mudança de assunto)
Nunca me achei suficiente para alguém. Citando a desmiolada (e linda) da Taylor Momsen: "I'll never be good enough." Mas, mesmo assim, pensava que eu podia tentar e talvez conseguir. Um pensamento otimista nessa mente vazia. Ponto. O problema é que me provaram o contrário. Entendam meu pensamento pessimista: se você não espera nada de bom, nada, exatamente NADA irá te decepcionar. E eu, inútil e inocentemente, pensei que poderia pelo menos uma vez na vida ser útil, agradável, amável. Suficiente. E parece-me que a única coisa que faço de fato é machucar a quem amo. Não, não é legal. Mas quem se importa? Quem consegue pensar numa solução viável para que essas ações e personalidade idiotas minhas acabem? Eu nasci assim, sou idiota assim e vou morrer estúpida assim. Por que continuar nadando contra a corrente?
E ah, como dói! Como dói perceber todas as idiotices, arrepender-se amargamente e não ter o que fazer.
Perdida. Extremamente perdida. Dividida entre o difícil e o impossível, tentada a ir para o nada, a conclusão, o fim. O fim de apenas uma coisa, conhecida como a razão de todos os problemas.
E se me perguntassem hoje que palavra me descreve, nada encaixaria mais do que estorvo. Estorvo, empecilho, obstáculo - estarei sempre ali para estragar a sua vida.
Prazer, estorvo.
24 de jul. de 2011 Leave a comment
Café com açúcar
Café. Açúcar, açúcar, açúcar, açúcar, açúcar...
- Quanto açúcar.
Assenti com um sorriso.
- Então, por onde quer começar? - perguntou.
O interesse pelo café desapareceu de repente.
- Sabe - comecei -, hoje me senti de uma maneira que não sentia há muito tempo. Não tanto, dois anos, coisa assim. Não foi bom.
- Eu sei que não foi bom - disse. - Eu sinto.
- Achei que nunca mais me sentiria assim.
- E por que não?
- Porque é passado. Não tenho os mesmos problemas de antes, então não sei o porquê de me sentir assim.
- Assim como?
- É meio vazio.
- Meio?
- Completamente. Ei, isso dói, sabia?
- Eu sei... Já lhe disse: eu sinto.
Cerrei os punhos sobre a mesa e engoli em seco.
- Você nem existe.
Um silêncio pairou por alguns segundos, mas logo foi quebrado por um longo suspiro.
- Mesmo que seja a verdade - disse. - Eu não gosto de ouvir esse tipo de coisa.
- Ninguém gosta de ouvir a verdade. - falei.
Ele mexeu os dedos na mesa, parecendo ansioso.
- Então, mesmo não existindo - ele voltou-se para mim, os olhos vazios. - Eu sinto e quero te ajudar.
- Desculpa, eu não devia ter dito isso.
- Esqueça as desculpas, você sabe muito bem o que penso delas.
- Sim, eu sei. - concordei. - Você sempre me chamou de dramática.
- E com razão.
Senti sua mão pousar-se sobre a minha e suspirei. Ele brincou com os meus dedos com um sorriso de lado nos lábios, mas parou subitamente. Senti seu sangue subir à cabeça e a raiva emergir em seus olhos. Eu o fitei.
- Você não...
- Sim.
- Você... Você disse que isso não ia acontecer de novo. - grunhiu entre os dentes.
- Sim, eu lembro. Eu disse. E sinto...
- Poupe os perdidos de perdão - interrompeu-me. - Por quê?
Um tremor percorreu o meu corpo, permaneci estática com medo de qualquer movimento. Meu estômago se contorceu ao ver a expressão em seu rosto: desapontamento.
- Eu tentei, e isso não vale como explicação, mas eu tentei e aguentei por muito tempo. Por favor, você tem que entender - senti meus olhos lacrimejarem, mas continuei. - Acredite em mim quando eu digo que tenho o dom de estragar as coisas, de entristecer as pessoas, de trazer o mal a qualquer lugar. Todas as pessoas com quem convivo partem, cansam, esquecem, abandonam. O problema está em mim, você sabe disso. Até você... - hesitei. - Um dia vai desaparecer. Eu não sei o que faço. Preciso de ajuda, mas não sei qual é o meu problema. Eu...
- Seu coração está doendo. - ele disse, de repente.
Eu queria lhe dizer que sim, mas tudo o que fiz foi desabar sobre a mesa.
- E eu sinto o quanto dói.
Segurei as lágrimas que lutavam pra sair e apertei sua mão que ainda pousava sobre a minha. Não era um apertar de mãos comum.
- Eu queria te ajudar... - começou.
- Mas você não existe. - concluí.
Por fim, consegui levantar o rosto e encará-lo novamente. Seus olhos mantinham o mesmo tom desapontado.
- Por mais que você queira, você não é a prova de balas. Ninguém é. A dor vai voltar. Eu vou voltar. Só prometa que...
- Não sou boa com promessas. - interrompi-o.
- Não vai se machucar de novo.
Ele deixou a cabeça pender. Levantou-se e colocou as mãos nos bolsos. A princípio achei que não haveria mais nada, como o usual. Apenas um adeus, tchau, até logo. Mas então senti seus braços me envolvendo fortemente em um abraço desajeitado e uma lágrima passeou pelo meu braço, solitária. Um murmúrio tomou forma e pude ouvir claramente: "Nunca se esqueça."
De repente não havia mais nada atrás de mim. Lá estava eu, em uma cafeteria, sentada sozinha e, como sempre, dois copos sobre a mesa.
16 de jul. de 2011 Leave a comment
Subliminar
Sente-se.
Dez mensagens enviadas.
Uma noite.
Nenhuma respondida.
Intrigante, não?
Nem tanto...
Como seguir?
Impossível.
Deixar de lado, talvez.
Impossível, também.
Espere o momento.
O fim.
15 de jul. de 2011 Leave a comment