O que foi 2011?
Bom, sem sombra de dúvidas, baseado no exato momento em que me encontro, eu responderia com toda a certeza e num tom extremamente convincente: uma merda. Mas pera lá, pera lá, mentezinha, nós sabemos que não foi assim. O que acontece é que 2011 foi uma mistura tão grande que é difícil definir, e eu não estou muito interessada em defini-lo em uma palavra, mas de talvez sentir o que foi bom ou não, o que aconteceu, o que não aconteceu e refletir sobre o que se passou na minha cabeça desse ano tão incomum.
Eu conheci meu namorado. Eu perdi meu melhor amigo de 7 anos. Eu fui uma puta hipócrita. Eu tive recaídas por sentimentos passados. Eu idealizei demais e sofri coisas que nunca imaginei. Eu fui pra Poços e disse a palavra mais dura do universo. Eu fiquei com pessoas que nunca imaginei que ficaria. Descobri que ficar com amigos talvez não estrague a amizade. Experimentei o “figurinha repetida não completa álbum” com muito nojo. Fiz novas amizades no colégio. Estudei mais do que imaginei que estudaria. Quis fazer Publicidade e Propaganda. E História, Letras, Filosofia, Ciência Política... Ciências Sociais. Medicina Veterinária, no fundo do coração. Ganhei uma gatinha. Tive um PT que não tinha há anos, e o pior: na frente da minha casa. Fiz novos inimigos sem ao menos saber a razão. Senti falta de 2010, o ano que eu tanto reclamava. Continuei querendo saber o nome daquele perfume. Me decepcionei com quem eu achava que nunca me decepcionaria. Me senti a pessoa mais indesejável do universo. Passei no vestibular pra filosofia. Tentei “fazer besteira”. Várias vezes. Quase consegui completar a besteira. Desmaiei. Passei mal e fiquei de cama por uma semana. Descobri pela segunda vez que sou alérgica a amoxicilina. Assisti muitos seriados. Chorei mais do que imaginava. Abri espaço pra ser sentimental e me arrependi. Senti falta da Patrícia de 2010. Comecei a gostar mais de Harry Potter. Fiz várias festas na minha casa. Saí muito. Comi muita comida japonesa. Bebi menos do que em 2010. Recuperei meu melhor amigo de 7 anos. Continuei com a melhor amiga do mundo. Comecei várias dietas dizendo que ia emagrecer. Aprendi a fazer panquecas. Engordei. Fiz dois piercings. Imaginei várias vezes o que meu namorado estava fazendo comigo se existiam milhares de meninas mais bonitas por aí, inclusive as amigas dele. Não ganhei autoestima. Tentei estudar e entender melhor anarquia e os grunges. Fui no show do Pearl Jam. Quis a baba do Eddie Vedder daquela garrafa. Quase fui no SWU. Tive uma tarde incrível filosofando com o meu amigo. Todos achavam que meu amigo gostava de mim. Me afastei do meu amigo. Me perguntei várias vezes se eu estava fazendo a coisa certa. Estou me perguntando isso nesse exato momento. Me senti querida. Senti falta de Poços. Recebi uma carta linda da minha mãe. Sofremos financeiramente. Parei de tocar guitarra e violão. Namorei um baixo o ano inteiro. Não me senti realizada. Tive vergonha de dizer as coisas. Fiquei irritada e tive medo de demonstrar por estar machucando as pessoas. Contenho a raiva. Quis vomitar na hipocrisia alheia. Conheci uma amiga incrível. Conheci melhor um sr. incrível. Ouvi de uma das minhas melhores amigas que eu era porra louca e me senti elogiada. Ouvi da mesma pessoa que eu era um Barney Stinson e Robin Scherbatsky. Quis queimar a cara de pessoas com um cigarro. Quis que cigarros desaparecessem. Percebi como as pessoas ficam previsíveis com o tempo, como a magia acaba e que paixão é uma vela. Prometi fazer uma tatuagem se passar na faculdade. Peguei em coxas. Descobri que piscinas ajudam em enjoos. Quis voltar no tempo. Espera, eu quero. Tive medo de tomar decisões. Sofri com distância. Consegui a façanha de sentir ciúmes de uma pessoa completamente aleatória. Não era uma pessoa aleatória. Admirei pessoas bonitas anonimamente. Quis ser bonita. Rasguei minha calça. Fui contra meus próprios ideais.
Esse ano acabou pra mim.
“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.” - Carlos Drummond de Andrade.
Não é o clichê de ano novo de que esse ano vai ser diferente e cheio de paixão se eu usar uma calcinha vermelha. Não. Eu cansei de ser idiota. Eu não vou ser uma nova pessoa, mas ser o que eu costumava ser, ou o que eu achava que eu era. E se isso significa mandar o papa ir tomar no cu sem medo, eu farei. Não posso mais ter medo de tomar decisões porque sairei do meu cantinho aconchegante. Se eu tiver que dizer adeus a alguém, eu direi. Se tiver que acabar, vai acabar. Não vou negar mais o que eu sinto. Não vou mais aturar.
E espero manter isso.
No momento meus sentimentos são uma mistura de fúria, vontade, dor, saudade, felicidade, expectativa, ansiedade e antipatia. Não sei como vai ser daqui pra frente, mas pode não ser nada bonito.
Porra, Patrícia, onde está o amor? Onde estão os fogos de artifícios num abraço, as borboletas no estômago, o tremer das mãos de nervosismo? Invenções?
Vou parar de ler. Não, não vou parar de ler. Parem de me iludir!
Raiva, me deixe em paz.
Esse final não fez sentido algum. Nem 2011.
Quem sou eu?
“Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”
Não ousem contrariar Sócrates.
Sério, quem sou eu?
Não, não quero mais saber.
E um viva para a ignorância! Que eu consiga chutar na cara de todas essas atitudes daqui pra frente.
YARRR!
Deixe-me te dizer...
27 de dez. de 2011
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