Ficção ou não?

Depois de tantos anos de leitura e escritas das tão adoradas ficções, seria ilógico dizer que não restariam rastros de falta de insanidade na minha mente. Toda aquela coisa planejada, a expectativa de um personagem perfeito; isso tudo continua e dá saudades. Saudades? Bom, talvez porque na vida real você não irá sentir todas aquelas coisas descritas.
Dei de cara com um suéter verde musgo se aproximando cada vez mais, e numa fração de segundo, meu coração deu dois giros de 360 graus dentro do meu peito. Tentei respirar à medida que nossos olhares se cruzaram e se fixaram um no outro, mas por mais esforço que eu fizesse, não consegui oxigenar meus pulmões. (Biology)
E em meio a tantos anos de experiência (talvez inúteis, talvez não), descobri que há sempre um conflito entre dois fatores. O bem e o mal? Não, não é assim. Os dois são bons, mas só restará um, e minhas personagens sempre estavam divididas entre os dois. Roubando as palavras da Juliana: "Por que você sempre desafia o ativo enquanto está de rolo com o passivo? Você sabe que no final vai acabar com ele. (ou na cama com ele)" Ah, a sinceridade de amigas. Bom, vou tentar explicar. No começo irá aparecer aquele príncipe da Disney que você sonhou durante toda a sua vida, que te trata como uma dama, te faz se sentir a menina mais amada do mundo, que diz 'eu te amo' repetidamente te arrancando sorrisos, te dá doces e flores e blá blá blá. Minha querida amiga Juliana apelidou-o de "passivo". Tudo vai estar perfeito com ele, e aquele pensamento de que não falta mais nada da sua vida vai encher sua mente, até que aparece o fator 2, carinhosamente apelidado de "ativo". Ele não vai te tratar como uma dama, vai fingir que não se importa com você, vai ser a pessoa com a maior postura de superioridade que você já viu, não vai dizer que te ama - o melhor, ele vai demonstrar! Nem que seja com os braços na cintura de outra mulher e os olhos fixos nos seus - e vai tentar de tudo pra estragar o seu relacionamento com o passivo. E adivinha com qual você vai terminar? É lógico que todas querem amor, alegria, companheirismo e um homem de verdade. Você pode ter tudo isso com o passivo, mas não estou dizendo que o ativo não proporcione tudo isso também. Ele vai te dar amor, alegria e ser seu companheiro na hora certa. Ele vai te puxar em meio a uma multidão correndo o risco de ser pego somente pra dizer que vai passar na sua casa mais tarde. Ele vai ter a cara-de-pau de oferecer a casa de praia dele pra você e o seu namorado passarem o fim de semana e aparecer lá de madrugada só pra te ver - assim, não só pra te ver, mas tudo bem. Ele vai tentar te substituir com x mulheres, mas nenhum olhar o fará fraquejar mais que o seu. Você não vai enjoar das três palavrinhas clichês ditas tão em vão ultimamente: ele não vai dizer; vai demonstrar e você irá sentir. No começo você tentará transformar o amor que sente por ele em ódio e irá fingir querer brigar com ele sempre que ele aparece e, acredite, isso só vai aumentar a vontade de ambos. E taí outra coisa que não vai faltar com ele: vontade. Ele é curioso, safado na medida certa, nada parado. Ele faz jus ao nome ativo. Você fingirá que não quer beijar ele, mas adivinha? Ele vai te beijar. E você irá se martirizar por ter gostado, apesar de não admitir pra ninguém, muito menos pra ele.
- Você parou pra pensar que eu não queria?
Ele me olhou parecendo chocado por um instante, mas então desatou a rir.
- Eu posso até acreditar que você sente alguma coisa por ele... – ele levantou-se, vindo em minha direção e parando perigosamente perto do meu corpo. – Mas você, não querer? – soltou uma risada pelo nariz. – Impossível.
Eu vacilei por um instante devido a sua proximidade, mas falei tentando parecer firme:
- Bom, olha só você se enganando. Acabamos de descobrir que é possível. Eu não quero. (Take me into the next wall)
Aham Cláudia, senta lá. Você gosta da adrenalina, do perigo, da pseudo-raiva que ele te proporciona. Você gosta de saber que vocês dois são errados e isso os torna cada vez mais certos.
Encarei estático a silhueta que retirava a blusa e a jogava para um canto qualquer do quarto. Ela parou por alguns segundos encarando sua própria imagem no espelho e bufou insatisfeita levando uma de suas mãos até sua barriga, passeando por ali em busca de uma deformidade que não existia. Mordi meu lábio inferior desejando intensamente ter a chance de fazer isso, mas eu simplesmente não deveria. De que vale todos os fatos como essa garota me enlouquecer mais que qualquer outra no mundo e ser perfeita quando ela é namorada do meu até então melhor amigo?
Ela caminhou até a cama, pegando de lá uma nova peça de roupa e a vestindo vagarosamente, botão por botão, atiçando sentidos que até eu mesmo desconhecia. Sentidos que poderiam fazer meus pés se moverem sem meu comando e, em um piscar de olhos, lá estava eu em sua frente, encarando seu olhar desnorteado e confuso. (essa não tem nome)
Mas há controvérsias, e é claro que você pode preferir o tipo passivo da coisa. Um conselho: você irá cansar. Você saberá o que ele vai dizer antes mesmo de abrir a boca. É aquele típico personagem que grava todas as falas de um filme de romance e as profere como se nós já não soubessemos da existência delas. Mas ainda assim ele vai te amar e fazer de tudo pra te conquistar e estar ao seu lado, mas você vai cansar. Todo o esforço dele vai ser em vão quando o ativo aparecer com seu sorriso que diz mais que mil palavras. E não é errado gostar disso, é humano. Todos querem se sentir desejados, inclusive as mulheres, e ele vai ser o tipo de pessoa que te dará essa sensação. Desejo, amor e confiança. Quer mais?
Uma palavra: surtante. Viver tudo o que a minha cabecinha escrevia e lia deve ser uma experiência incrível, e acho que posso incluir isso na minha pasta de sonhos impossíveis. Eu passei grande parte da minha vida sentada lendo e escrevendo, criando cenas na minha mente e sorrindo por dentro, imaginando que um dia elas se tornariam realidade. Até que optei pela vida real. E sabe de uma coisa? Não é nada do que eu imaginava. Não, eu não sinto arrepios com um olhar, borboletas revirando meu estômago, uma ansiedade inexplicável, uma vontade enlouquecedora... E agora entendo os que optam por ficar em outro mundo. Aliás, é ficção? Ou são desejos que escolhem ficar calados dentro de si para a vida não ser tão decepcionante assim?
Ah, que saudade. Mas passou. Talvez eu tire um dia pra sentar, ler e escrever, mas eu sei que depois disso terei a vida real para lidar com.
Decepcionante.

17 de out. de 2011

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