Um simples esquecimento

Andei pensando em como tudo mudou em tão pouco tempo e em como esse ano passou rápido demais ao meu ver. Já fazem 11 meses que me mudei pra Juiz de Fora, e mesmo com 'tanto' tempo ainda consigo sentir aquele aperto no coração de 11 meses atrás, as lágrimas, a tristeza da partida, aquela sensação de querer aproveitar mais o tempo que nos restava, as cartas de despedida, o pensamento de que eu não iria conseguir sobreviver um dia longe de tudo aquilo... Bom, cá estou. Sobrevivi. Por 11 meses, quase fortemente, sem remoer muito o assunto. No começo, admito, foi insuportável: todos os dias pareciam passar em câmera lenta e uma agulha parecia estar fincada no meu coração. Momentos que eu não gostaria de reviver. Mas depois tudo foi acalmando, a dor foi amenizando - ou ela foi guardada em algum lugar bem fundo do meu peito, com medo de tentar sair e me aterrorizar - e tudo ficou normal. Normal. Não bom, normal. Eu sinto falta? Ah, sinto, muita. É recíproco? Isso eu não posso lhes dizer.
Por que mudanças não funcionam? Pelo menos a maioria delas. Não vou culpar a distância, porque pra mim, distância não é problema nenhum. Mas quando se está perto e vai pra longe, aí sim é um problema. É uma mudança.
Não sei se era cega, ingênua e besta, mas pra mim tudo era perfeitamente perfeito enquanto eu estava lá. Tinha os amigos perfeitos, as risadas perfeitas, os abraços perfeitos. Então por que tudo mudou?
Não posso dizer que não conheci pessoas legais em Juiz de Fora, conheci muita gente mesmo, cresci de diversas maneiras e tive uma liberdade que antes não tinha para viver. Me senti estranhamente aceita em um lugar que eu jurava não me encaixar. Então do que eu estou reclamando? Oras, eu sinto falta dos meus amigos, sinto falta do que era pra sempre e parece não ser mais. Um simples esquecimento.
Eu não queria tudo como era antes, eu só queria um pouquinho disso, coisa pequena, só pra me sentir feliz daquela maneira de novo.
Eu quero um pouco.
E ainda me pergunto se vocês gastariam o mesmo tempo e as mesmas palavras por mim.
Sinceramente? Acho que não.

27 de nov. de 2010

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